Quarto Capítulo

 

Há cento e um anos uma grande teia de relações e acontecimentos estava prestes a concretizar o maior movimento social do país. Fazia esse mesmo frio que está fazendo essa semana; no meio da tarde saía esse mesmo sol para esquentar e nos preparar para as noites frias de agosto. Mas o ar era limpo, a cidade ainda tinha chão de terra, e os rios eram quase todos ainda saudáveis.
A plebe desta Paulicéia estava descontente com o escamoteamento de seus espaços públicos, e nesse descontentamento estava se mobilizando, criando uma Resistência sem precedentes.
Remontar aqueles dias de epopéia para se concretizar a Utopia, desde maio, passando pelo inverno todo e chegando às noites de agosto de 1910, é tentar percorrer as trilhas das antigas chácaras em direção às Várzeas, tentar perambular pelas esquinas do velho Bom Retiro, pelos becos que acabavam no trilho do trem. É passear de tílburi e de bonde, andar pelas fábricas, pelos armazéns, pelas alfaiatarias e barbearias, e por todos os botecos da cidade. É buscar enxergar aqueles olhos de Povo que viam aquela Idéia Viva acontecer naturalmente, sem se darem conta de que estavam criando algo muito além daquele pequeno anarco-sindicato que tinha como “desculpa” um Clube de Verdade.
Futebol é público, e tudo o que é público, é político. E foi pela via esportiva que este anarco-sindicato se mobilizou, sem desconsiderar nenhum espaço público.
O Povo teria Voz, mas ainda não sabia disso. E faziam tudo como se aquilo que estavam criando já fosse não só a Voz, mas o Coração e a Alma.
O final de agosto de 1910 foi o momento determinante, quando o Embaixador chegou e inspirou aquele bando de loucos. Eles, naquelas horas, não poderiam imaginar que o Clube de Verdade que eles sonhavam faria uma bela homenagem ao Embaixador, presenteando o nome Corinthians com a concretização e Existência da Utopia; Manifestação palpável do anseio popular por emancipação, diria Lourenço Diaféria, mais de oitenta anos depois…
Enquanto vislumbravam o grandioso Futebol do Embaixador, que goleava e massacrava o adversário, dentro de todos os limites do civilizado Futebol, e ao mesmo tempo de forma tão pujante quanto nunca haviam visto igual (aliás, ninguém jamais havia visto. Eram os Embaixadores, afinal de contas), aquele bando de loucos também não tinha condição de imaginar o quanto a História desta Utopia que eles começavam a concretizar iria expressar a própria História do país, do mundo, da raça humana.

Há cento e um anos… Já começou o segundo século de História. Promissora História, como sempre foi. Pois até mesmo quando observavam o desdém daqueles que não entendiam a Idéia, aqueles Primeiros Corinthianos sonhavam exatamente como nós, Corinthianos de hoje, sonhamos. O Corinthians é um sonho; um Ideal. Uma Causa de Vida.
Promissora História, que deve a Existência a essa Causa. Pois aqueles Primeiros Corinthianos sabiam o que era Democracia. E nenhuma associação aconteceu tão democraticamente – e por isso mesmo, das tripas coração, sempre! – quanto aquela grandiosa Utopia que se iniciava há exatos cento e um anos. Uma Causa Libertária, pelas mentes que a sonharam e pelos braços que a construíram. E sonho que se sonha junto, que passa a ser realidade, é uma plena autogestão em curso. Aquele bando de louco saiu do jogo do Corinthian Football Club sonhando “o NOSSO time tem que ser igual aos Corinthians! Ou isso, ou nada!”. É que eles não poderiam imaginar que seria MUITO MAIS que isso. “O Corinthians não conquista vitórias apenas para alimentar sua vaidade ou para fazê-las constar em manuais de história. O Corinthians busca o título para dá-lo ao Povo, como prova de carinho, como a corda mi do cavaquinho de Adoniran. O Corinthians conquista suas Glórias para que o Povo dê sentido à vida, e para que as pessoas simples descubram que a vida vale a pena”

GÊNIOS DO POVO
GÊNIOS DO POVO

1) Anselmo Correa, 2) Alfredo Schürig (o que prova que ele estava nos primórdios do Clube, e não chegou depois, como ficou na História), 3) Felipe Valente, 4) Raphael Perrone
5) Miguel Bataglia, 6) Antônio Pereira, 7) Joaquim Ambrósio (quem sugeriu que a Companhia de Jorge se chamasse SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA).

101!
VIVA O CORINTHIANS NOSSO DE CADA DIA!!!

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  1. valeu corinthians pela essa vida pelo meu amor que é o corinthians.
    Eu tenho que agradecer para o meu pai?
    não sei como é aqui em casa 4 corinthiano 1 palmerense.
    E uma são paulina o brigada corinthians.
    Vamo me te 3 a 0 pro corinthians.
    Vai corinthians

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